Equity ESG: a estratégia de consolidação que move a EB Fibra

Presidente-executivo da EB Fibra, Pedro Parente fala sobre estratégia de consolidação de norte a sul do Brasil.

Na última sexta-feira (16) o estado de Nova York tornou lei uma proposta que viabiliza o acesso à internet de alta velocidade, a baixo custo e subsidiado para famílias de baixa renda. A justificativa para a medida era clara: em meio às mudanças trazidas pela pandemia, conexão de qualidade deixou de ser um item de luxo para se consolidar na agenda pública como essencial à competitividade e desenvolvimento econômico.

Uma leitura muito parecida do papel que o acesso à internet de alta velocidade tem a desempenhar no futuro das economias é compartilhado pela EB Fibra, projeto da gestora de private equity EB Capital  liderada por Pedro Parente, desde 2019 à frente dos negócios. A estratégia, segundo o executivo, consiste em consolidar um mercado de 5,5 mil provedores regionais, atendendo a uma população que tem déficit na oferta da tecnologia e, ao mesmo tempo, oferecer retorno em linha com os investimentos em equity disponíveis no país: “profit and purpose“, nas palavras de Parente. Em tradução livre para o português, lucro e propósito movem a EB Fibra.

O projeto, que nasceu com a aquisição da Sumicity em 2018, inclui ainda a Mob Telecom e a Vip Telecom, além de outras quatro negociações que devem ser concluídas até o final de junho e um pipeline ativo, de olho em oportunidades de norte a sul do Brasil. O objetivo é concluir o ano de 2021 com 1 milhão de assinantes, contra 380 mil atuais e R$ 1 bilhão em receita. Entre 2019 e o final de 2021, a companhia projeta crescimento de 128% em assinantes, 249% no backbone e de 145% na receita.

“Esse é quadro que deslumbramos e nos levou a mudarmos o projeto inicial para uma coisa mais abrangente. Essa possibilidade de crescimento de três dígitos em variáveis muito relevantes”, comenta o executivo.

As aquisições são financiadas com R$ 1,6 bilhão captados a mercado. Destes, R$ 800 milhões provenientes do varejo. Atualmente em processo de nova captação via emissão de dívida, Parente não descarta a possibilidade de uma oferta de ações da EB Fibra, que poderá impulsionar outras aquisições e projetos do negócio, mas que não implica em uma saída da EB Capital do investimento.

A gestão Parente

O projeto de consolidação nacional de plataformas independentes tem como pilar uma estratégia de gestão descentralizada, que confere autonomia aos provedores regionais em toda a tomada de decisão relacionada aos clientes. Por outro lado, custos e investimentos são centralizados, oferecendo escala e assertividade na expansão do backbone da EB Fibra, atualmente com 73 mil quilômetros.

“Nós temos um footprint nacional, mas com uma presença descentralizada com muita autonomia. E esse é um modelo chave de sucesso para nós”, comenta.

A companhia, no entanto, não quer competir com os grandes provedores nacionais, destaca Parente, reforçando que esse é um mercado “com espaço para todos”. Na estratégia da companhia, a ampliação da oferta de fibra óptica com tecnologia de ponta está no cerne do negócio. Logo, apenas empresas com um relevante número de assinantes em fibra – e não tecnologia legada – são alvos de aquisições.

“Nosso modelo de negócios dá muito autonomia a quem está na ponta, especialmente na relação e aquisição de clientes, no pós venda, toda a parte de marketing, call center, tudo isso é descentralizado e damos uma autonomia muito grande. Portanto, a velocidade de crescimento é muito alta”, explica o executivo.

Com 11 data centers, o crescimento dos negócios tem como desafio a oferta de mão de obra no país. Demanda evidenciada pela pandemia e que moveu gigantes globais, como a Amazon, a firmar parcerias nos Estados Unidos nos últimos meses para formação de profissionais para atuar em seus centros de processamento de dados.

Para os profissionais brasileiros, Parente destaca que a formação técnica é a porta de entrada para o carente mercado nacional, além de funcionar como propulsor da mobilidade entre faixas sociais. Não por acaso, o olhar para formação de base técnica em diferentes setores é um dos projetos capitaneados pela EB Capital.

“É possível fazer coisas que tenham um retorno típico de private equity, mas que ofereçam também um retorno social e ambiental. Eu vim para a EB Capital com essa visão”, finaliza Parente.

Fonte: https://forbes.com.br/forbes-money/2021/04/equity-esg-a-estrategia-de-consolidacao-que-move-a-eb-fibra/